Dentro de um Jardim Inatingível reúne uma série de obras onde Joana Pitta constrói um território contínuo, luminoso e impossível. A artista parte de flores, frutos, catos, nenúfares e pequenos sapos para dar forma a um jardim que não existe no mundo real — mas que parece totalmente habitável no universo da imaginação.
As obras são criadas a partir de desenhos digitais desenvolvidos com apoio de inteligência artificial. Esta base tecnológica permite-lhe organizar formas, linhas e padrões com precisão, que depois são impressos em acrílico e transformados através de películas coloridas aplicadas manualmente. A luz LED que atravessa cada peça reforça a sensação de janela iluminada: uma visão interior, quase mágica, de um espaço que respira por si próprio.
Um dos aspetos centrais do projeto é a repetição deliberada: as obras não são variações isoladas, mas partes de um mesmo ecossistema, como diferentes pontos de um jardim contínuo. Dos catos às flores, das flores às peras, das peras ao lago, do lago aos sapos — o percurso visual compõe uma narrativa silenciosa, como se o espectador caminhasse dentro do mesmo espaço, descobrindo zonas distintas mas sempre familiares.
Entre estas paisagens surgem sapos que habitam pequenos lagos coloridos. Estes seres anfíbios funcionam como guardiões do lugar: criaturas que vivem entre mundos — entre a terra e a água, entre o real e o simbólico, entre a quietude e o salto. A sua presença traz humor, estranheza, significação e uma leve dimensão mitológica.
Este jardim é inatingível não por ser distante, mas por ser interior. Existe num limbo entre o possível e o impossível, no encontro entre o gesto manual e a construção digital, entre o artifício da luz e a delicadeza do desenho. As obras não representam a natureza: reinventam-na como sonho, como memória, como promessa de um lugar que podia existir, mas apenas existe na imaginação.






