Prolongamento até 26 de Junho ’26
Ar, água, terra, fogo
Elisa Ochoa
Inicia-se um novo caminho de descoberta criativa da artista, explorando a ideia de forças indiferenciadas que permanentemente se encontram no caos primordial e que naturalmente, por uma lógica interna e irracional, se vão formando em figuras singulares e dinâmicas.
Elisa Ochoa refere-se aos primeiros elementos como entidades criativas e expressa plasticamente essa ideia a partir do movimento constante entre o ar, a água, a terra e fogo, desenvolvendo diversas séries de trabalhos que vão do desenho, à pintura, colagem, escultura, instalação e fotografia.
Tal como na origem do mundo natural e cosmológico, a arte nasce de um caos potencialmente criador e, através de um ato de combinações mentais e gestuais da matéria, se vai desenhando uma ordem dos elementos que a compõem e que constituem o surgimento de algo que é novo – novas formas, novas fusões, novas matérias e substâncias que se vão concretizando em fragmentos de uma só unidade – como uma árvore que cresce; como um ser vivo que se transforma a partir da célula.
A exposição “Ar, água, terra e fogo” aparece como um título sugestivo da artista para dar conta do conceito de vivência dos materiais e do seu ser para o mundo, transmutáveis, destrutivos, decadentes e renovadores de outros ciclos.
É também uma chamada de atenção para retornar à simplicidade dos elementos que pulsam na natureza existente e que determinam uma busca constante do equilíbrio da matéria e sua efetivação concreta e real.
Este projeto parte da pesquisa que Elisa Ochoa tem feito sobre o ato criativo em si, no plano puramente dos afetos, plano onde os corpos constroem-se e ganham sentido, ao unirem-se e brotarem uma forma de vida particular.
Nestas obras, a artista faz também um paralelo com os elementos primordiais do nosso planeta, ao invocar materiais rochosos, magmas vulcânicos, cursos de água, raizes, furacões, etc. enquanto geradores de vida, e propõe nas mesmas um novo olhar sobre os materiais que utiliza e as suas múltiplas combinações, conferindo-lhes uma celebração da criação natural da vida, da luz, da sombra, das formas orgânicas e geométricas, da semente e da montanha, do invisível que se torna presença.
Por este motivo, a utilização de diferentes tècnicas artísticas torna-se central na sua prática, pois cada um dos processos criativos revela já em si uma particularidade da exisitência desses elementos.
Em paralelo com esta exposição, Elisa encontra-se a desenvolver um conjunto de gravuras produzidas pelo Centro Português de Serigrafia, dedicado ao mesmo tema dos quatro elementos. Este conjunto é precisamente a tentativa de mostrar como diferentes combinatórias dos mesmos elementos produzem corpos distintos entre eles, gerando novas formas de existência.








