DO YOU LOVE ME?
Esta exposição pretende fazer uma reflexão e uma partilha de pensamentos sobre a aceitação neste nosso mundo humano.
Talvez por gostar tanto de interrogações ou por tentar compreender a nossa existência e o nosso propósito aqui nesta vida, talvez por mera curiosidade…
Ao longo da nossa evolução fomos procurando aprimorar formas de aceitação de quem somos, do que sentimos, do que fazemos e do que criamos, do que damos de nós ao outro, à comunidade, à sociedade e ao mundo em geral.
Hoje no labiríntico e ruidoso mundo de informação, somos o alvo perfeito para as tantas solicitações, espectativas, ilusões.
Somos chamados à constante vaga de critérios, formatos, validações e comportamentos. Quase como se tivéssemos obrigatoriamente de escolher uma caixa, embalagem modelo onde nos encaixamos, tal e qual um produto de consumo. Um verdadeiro marketing de existência.
Nesta virtual vida que nunca dorme sentimo-nos muitas vezes como pequenas peças de puzzle, onde tudo deverá bater certo com encaixes perfeitos e no fim não deverá sobrar nenhuma peça. Mas e onde fica a liberdade de cada um? Onde fica o livre arbítrio? Onde fica o espaço para quem não tem encaixe neste jogo?
Tudo para agradar a quem? Amamo-nos verdadeiramente? E os outros amam-nos ou às projeções que fazem de nós? O que esperamos e o que esperam de nós?
A por vezes embaciada perceção de que somos ambos os lados da moeda e em nós temos a bruxa e o anjo, sem que nenhuma delas nos defina num todo. Mas a parte boa deste processo que tantas vezes nos esquecemos, no nosso campo de atuação, no nosso espaço, pudemos fazer escolhas! Verdade de curto encaixe…
Tantas perguntas e tantas possíveis respostas. Quase um cenário de guerra de disparos incessantes, para onde fugir? Onde nos refugiamos?
Um dia pensei que o amor era algo inato que sentimos, desejamos e precisamos, será?
Porque tantas vezes nos esquecemos da gratidão do tanto que somos e temos, uma vida para viver, onde pudemos decidir o que gostamos e o que não queremos. O que nos corre no sangue? Porque tantos sonham com outras vidas outros recantos outros amores humanos e profissionais?
Porque procuramos sempre em primeiro lugar a aprovação do outro ao invés da nossa própria?
Será o amor uma forma de aceitação? Ou será um exercício de sobrevivência?
“Às vezes oiço passar o vento; e só de ouvir o vento passar vale a pena ter nascido.” Fernando Pessoa
Com amor,
Mariana Gillot






