A pintura não-figurativa de Loli Aldazabal apresenta uma delicada harmonia geométrica. Sobre o fundo de suaves cores neutras dispõem-se formas geométricas regulares ou poliédricas, desdobradas e imbricadas em planos dinâmicos. A variada paleta cromática, sempre de grande suavidade, não perturba este movimento contínuo.

Aqui e ali estes planos lisos convertem-se em formas tridimensionais contrastantes e adquirem solidez, lado a lado com simples planos dobrados, como folhas de papel, numa espécie de singulares projeções ortogonais, embora irregulares.

Dobrando-se, projetando-se, multiplicando-se, embrincando-se no espaço neutro, esta variedade de formas parece mover-se silenciosamente.

Mais ainda, esta análise e dissecação espacial dinâmica é também enriquecida pela presença de simples planos lineares, de arestas agora arredondadas, símiles de écrans que revisitam o binómio Modernista do contraste entre a figura e o fundo.

Esta imensa variedade de planos e perspetivas, sublinhada pela cor suave, insere-se na tradição da Abstração Geométrica, um dos cânones e pilares da cultura visual do Ocidente.

Rui Afonso Santos

“É o que é”

É tão simples e complexa ao mesmo tempo. A riqueza da mesma tem a ver com essa precisão, autoria e poder. Onde se abre todo um campo de jogo visual com estes poucos elementos, como uma fórmula básica ou mínima.

Onde há um achar e efetividade na seleção das cores, é pura e dura. Nascem formas realistas, representativas, apresentando em simultâneo, múltiplas perspetivas, na busca de romper com o ponto de fuga único e tradicional.

Do passar por exposições, bienais e concursos em diferentes países e cidades, nasce a necessidade de incorporar referências sobre o território onde vão ser exibidas. Não pretendo fazer uma Pintura representativa do exterior, busco apenas um eco entre o contexto e o modo de construir a minha ficção de formas e cores.

Pode-se observar o mesmo jogo de volume, plano e linha. De equilíbrio e desequilíbrio, onde os objetos seguem sem se unirem e com pontos de fuga diferentes, formando sempre uma composição harmónica. Todas são o reflexo das minhas reflexões quotidianas.

Loli Aldazabal