Toda pintura é um acidente.
Mas, ao mesmo tempo, não é,
Já que precisamos selecionar qual
Parte desse acidente vamos preservar.

Every painting is an accident.
But it's also not an accident,
Because one must select what
Part of the accident one chooses to preserve.

Francis Bacon

Se muitos artistas buscam construir personagens à perfeição, outros encontram no acidente seu fluxo criativo natural. É essa trajetória invertida que rege o trabalho do paulista Flavio Rossi.

No início, o universo de Rossi, que começou a carreira como ilustrador, era habitado por personagens com diferentes proporções, cheios de dramaticidade e que protagonizavam quase que exclusivamente as telas. Agora, no entanto, suas reconhecíveis figuras aparecem mergulhadas em outros muitos elementos, que compõem suas pinturas e esculturas.

As sobreposições de imagens tomam formas quase abstratas, um nítido retrato de nossas mentes nos tempos atuais. Nesse processo, Rossi também coloca nos trabalhos a materialidade da tinta, buscando volumes nas pinceladas. A construção de cada obra fica mais aparente e orgânica, trazendo a massa de pigmento para o papel de protagonista. Os personagens parecem camuflados, sendo descobertos aos poucos pelo expectador.

Para tais produções, ele reuniu inúmeras imagens capturadas na Internet e fez colagens virtuais. A partir delas, começou a pintar. Em meio à obra, reconhecemos algumas referências da trajetória de Rossi, como o amor pelo jazz.


If many artists seek to build characters to perfection, others find in the accident their natural creative flow. It is this inverted trajectory that governs the work of Flavio Rossi of São Paulo.

In the beginning, the universe of Rossi, who began his career as an illustrator, was inhabited by characters of different proportions, full of drama and starring almost exclusively the canvas. Now, however, his recognizable figures appear immersed in many other elements, composing his paintings and sculptures.

Image overlays take almost abstract forms, a clear picture of our minds in modern times. In this process, Rossi also puts in the work the materiality of paint, looking for volumes in the brushstrokes. The construction of each work becomes more apparent and organic, bringing the pigment paste to the starring role. The characters seem camouflaged, being gradually discovered by the viewer.

For such productions, he gathered numerous images captured on the Internet and made virtual collages. From them, he began painting. Amid the work, we recognize some references of the trajectory of Rossi, as the love of jazz.

Ana Carolina Ralston

Inauguração da exposição

O Jazz e a sua Sensualidade

Flavio Rossi em cada quadro que constrói conta uma história.

Entrega toda a sua energia num único objectivo de a escrever com os seus pincéis.

Da nova geração de artistas brasileiros, este promissor artista cria com o seu trabalho uma narrativa elegendo em cada tela a história que cada génio merece. Uma extrema necessidade de os manter vivos e imortais nas suas telas.

Nesta mostra, Flavio Rossi escolheu os grandes nomes do jazz, manifestando uma homenagem pessoal e de admiração.

Com toda a sensualidade que o jazz nos conforta também ele nestes trabalhos que apresenta nesta exposição nos oferece esse dom que a música e as suas divas nos transmitem, construindo e desconstruindo imagens que preenchem surpreendentemente o nosso interior.

Se todos os dias olharmos para os trabalhos do Flavio Rossi encontramos algo de novo que nos transporta para um final irónico e de particular beleza.


Jazz and its Sensuality

Flavio Rossi tells us a story in each one of his paintings. All his energy is focused into the sole purpose of writing it with his brushes.

From the new generation of Brazilian artists, this promising artist creates with his work a narrative, choosing on each canvas the story that each genius deserves. He has this extreme need to keep them alive and immortal on his canvas.

In this show, Flavio Rossi chose the big jazz names, expressing his personal homage and admiration.

With all the sensuality that jazz comforts us also he in the works of this exhibition offers us this gift that music and its divas transmit us, constructing and deconstructing images that surprisingly fill our inner.

If every day we look at the works of Flavio Rossi we find something new that transports us to an ironic end and of special beauty.

António Prates

Artista Flavio Rossi com o Galerista António Prates na Montagem da Exposição

Nunca deixei de relacionar a música com a pintura. Talvez por conviver com meu pai que era músico. Ambas se encontram de em várias vertentes; ritmo, harmonia, cor, composição, camadas, vigor, volume, etc… Dentre todos os gêneros da música o que mais conversa com meu trabalho hoje penso que é o Jazz. Assim como o Jazz a minha pintura segue se pelo improviso, a partir das pequenas descobertas e possibilidades durante o processo de construção. Quase como se o acidente ditasse as regras. 

Busco, ritmo, harmonia, movimento… Uma forma de possuir a outra num sentido de união. 

Como disse Duke Ellington: “Cada homem reza em seu próprio idioma”.


I never ceased to relate music with painting. Maybe it’s because I lived with my father who was a musician. Both meet in several areas; rhythm, harmony, colour, composition, layers, vigour, volume, etc… Among all genres of music the one that more talks to my work today, I think it’s Jazz. As Jazz my painting follows the improvisation, from small discoveries and possibilities during the construction process. Almost as if the accident dictated the rules. 

I’m looking for rhythm, harmony, movement … One way of owning the other in a sense of union. 

As Duke Ellington said: “Each man prays in his own language”.

Flavio Rossi

Artista Flavio Rossi com o Compositor Pedro Teixeira da Silva